Um sábio de bar ontem me contou uma história muito
semelhante a minha:
"Os últimos anos tem sido generosamente difíceis.
Perdi praticamente tudo e todos que eu valorizava. Muitas
coisas e muitas pessoas eu valorizei mais do que devia.
Vinculei minha vida a sentimentos frágeis, embasados em
premissas erradas e expectativas equivocadas. Hoje pago o preço disso, e caro.
Agrilhoei-me ao amor alheio e arrastei-o ao longo de toda a minha vida. Sonhei
sonhos que não me pertenciam e violentei-me com vidas que não vivi.
Acreditei-me maior e melhor do que eu era, acreditei em
falsas bajulações, elogios ocos e em super poderes que jamais tive. Ergui ao
meu redor uma couraça robusta de aparência mas com a solidez de uma casca de
ovo.
Ao longo dos últimos anos a couraça começou a trincar e ruiu
completamente. O super herói era uma brincadeira, um conto de fadas sem final
feliz.
Silenciosamente os bajuladores foram desaparecendo até
restar só. Absolutamente só.
Os últimos golpes vieram de pessoas que eu não esperava e da
forma mais cruel e fria imaginável. Requintes de crueldade.
Aí sentei-me disposto a ver a vida passar, de preferência
bem longe de mim. Sem presente e sem nenhuma perspectiva de futuro o imobilismo
parecia a única alternativa.
Assim como o golpe derradeiro veio de onde eu não
acreditava, a mão amiga também surgiu de onde eu não esperava."
E o que restou?
Apenas esta pessoa, um resto, um fragmento do que já foi.
Não reconheço mais meus olhos no espelho.
E o que mais me preocupa, será que um dia voltarei a reconhecer, ou essa foi outra coisa que se perdeu no tempo e agora.
Recolhemos os cascos que sobraram ao chão e fazer um barco para ir ao além mar.
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