17 novembro 2012

Vidas cruzadas e vidas paralelas


Um sábio de bar ontem me contou uma história muito semelhante a minha:
"Os últimos anos tem sido generosamente difíceis.
Perdi praticamente tudo e todos que eu valorizava. Muitas coisas e muitas pessoas eu valorizei mais do que devia.
Vinculei minha vida a sentimentos frágeis, embasados em premissas erradas e expectativas equivocadas. Hoje pago o preço disso, e caro. Agrilhoei-me ao amor alheio e arrastei-o ao longo de toda a minha vida. Sonhei sonhos que não me pertenciam e violentei-me com vidas que não vivi.
Acreditei-me maior e melhor do que eu era, acreditei em falsas bajulações, elogios ocos e em super poderes que jamais tive. Ergui ao meu redor uma couraça robusta de aparência mas com a solidez de uma casca de ovo.
Ao longo dos últimos anos a couraça começou a trincar e ruiu completamente. O super herói era uma brincadeira, um conto de fadas sem final feliz.
Silenciosamente os bajuladores foram desaparecendo até restar só. Absolutamente só.
Os últimos golpes vieram de pessoas que eu não esperava e da forma mais cruel e fria imaginável. Requintes de crueldade.
Aí sentei-me disposto a ver a vida passar, de preferência bem longe de mim. Sem presente e sem nenhuma perspectiva de futuro o imobilismo parecia a única alternativa.
Assim como o golpe derradeiro veio de onde eu não acreditava, a mão amiga também surgiu de onde eu não esperava."
E o que restou?
Apenas esta pessoa, um resto, um fragmento do que já foi.
Não reconheço mais meus olhos no espelho.
E o que mais me preocupa, será que um dia voltarei a reconhecer, ou essa foi outra coisa que se perdeu no tempo e agora.
Recolhemos os cascos que sobraram ao chão e fazer um barco para ir ao além mar.

16 novembro 2012

Amamos nossos desfeitos.

Consentimos que nos apontem os nossos defeitos, aceitamos as punições que deles decorrem, sofremos pacientemente por causa desses defeitos. Mas perdemos a paciência se nos obrigam a pô-los de lado. Certos defeitos são imprescindíveis à existência dos indivíduos. Ser-nos-ia desagradável ver amigos de longa data porem de lado alguns dos seus particularismos. Que a beleza das particularidades, dos defeitos que nos fazem, que não se percam em prol a massificação. A individualidade e particularidade de um individuo tem um preço. A grande diferença do qual está disposto a pagar o preço de ser único e aquele que se dispõe a abrir mão de sua particularidade para um grupo. Mas e a noite quando acaba o dia e fica apenas nós e nossa pessoa, a falta da particularidade. Me pergunto: Foi válida a minha troca, de quem eu era por quem eu sou? sabiamente sei qual foi o meu preço. E você sabe qual foi o seu?

07 novembro 2012

Uma queda que não tem fim

Pensando no que a vida exige de cada um, hoje procurei apoio no que me reconfortava antigamente, e neste momento percebi que o que antes me atraia, hoje não possui graça.
Andei, vivi, morri e renasci
E agora peando tudo que passei, fico cada vez mais inclinada a não entender o ser humano
Uma conta inexata, infinita, com indeterminadas variáveis e com diversos porém.
Não consigo entender por que alguns mesmo quando tem tudo, querem ver a destruição.
A inveja do sofrimento alheio
Como sempre recebi novas ameaças hoje, e não consigo compreender, como alguém que tem tudo,
pode sentir inveja.
De alguém que não possui nada. Que sofre para conseguir o seu objetivo.
Já passei fome, para estar aqui
Já chorei lágrimas
Ja caminhei de joelhos
Já implorei 
Já morri
e das cinzas Renasci
E agora está tudo terminado
Tudo perdido
cada momento desse sentimento me remoí e dói a perda do sonho
A distância se torna cada minuto mais óbvia
Não quero ver onde vai acabar esse buraco
não quero seguir adiante nesse mesmo caminho
Por mais que me esforce as coisas não param
As coisas vão continuar assim
Grito e ele ecoa
Escuto a risada.
é agora não tem mais volta.
Sinto uma vertigem, enjoada, vontade de voltar, mas não há como
E o Abismo da vida me leva......
e assim, chega-se ao fim