13 agosto 2007

Andarilho














Corpo em chamas.

Labaredas incendiando o meu corpo azul, Sedento de liberdade nas constantes noites sem fim, Na sensação de um novo dia surgir, Debato-me sob o meu quarto sem porta, Onde minha alma presa, Não consegue sair do imaginário. Linhas imaginárias traçadas durante o dia, Sentenças incisivas do tempo sem fim, Das pétalas brancas lançadas sobre o seu leito, Depois do banho de leite e mel. Nas domesticações de sua alma tão intempestiva, Os ventos trazem boas novas, E levam cinzas de um passado triste, Imperfeito, E ausente...

A vontade de partir e constante em alma incerta. Levada por toda volúpia carente.


E os densos olhares sobre o horizonte. E no entardecer lagrimas ensandecida. Um detalhe preso nas linhas imaginaria. E no corredor de sombras, Segredos escondidos atrás dos tecidos. Desejos que envelhecem com os dias. E páginas amassadas. Um olhar sobre o ontem. E fragmentos da memória vindos à tona.

Instintos aprisionados sob o tempo, E nas manhãs o sol penetrando as frestas da janela, Sobre teu corpo. Brilhos de uma primavera que se aproxima. E um tempo perdido dentro da cabeça. Imagens em preto e branco. E na parede uma foto distante. Que as estações aproximam. Imerso nas cores e na curva teu sorriso. Momentos distintos dentro da alma.

E a busca pela divisão de mundos. Um caminho que nos eleva no anoitecer E palavras dando lineal idade ao meu corpo. Resquícios de tinta nos dedos antes de lhe tocar. E nos olhos um pouco de vermelho antes da fuga. Para o quarto azul, com seu sofá amarelo desbotado.


E em um caminho que sigo precipitado, O perfume que se gasta na ausência, Lagrimas escondidas no papel, E um pouco de tempo nos olhos. Palavras imprecisas num corredor de sombras, E minha pele se envolvendo com o sol, Dias correndo na minha cabeça, E minhas mãos usando o vermelho. Uma fuga traçada no espaço, E no amanhecer o fogo me corta, Seus cabelos em meus quadris, E algumas violetas aos seus pés. Uma criança que chora ausente, E uma pitada de dor nos lábios, Roupas que envelhecem na gaveta, E um presente escondido atrás da tristeza. Nas linhas imaginarias não me encontro, E na voz um timbre perdido, Que circula dentro da solidão, Uma rua que o entardecer envelhece, E uma voz que grita na janela.

E um caminho que continua nas sobras. Em uma estrada sem fim. E tudo que resta é uma cama velha vazia e fria. Onde continua o mundo.

Um comentário:

Anônimo disse...
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